O que é plantar a sua comida? 

O alface crescendo na minha horta, no quintal de casa, que observo todo dia da janela do meu quarto. Poucas coisas são tão valiosas quanto ver seu alimento crescer, em uma terra honesta, limpa, que produz um alimento honesto, real e limpo. A terra da minha horta é simbólica, ela é cuidada e tem a marca de muitas mãos generosas e carinhosas – não cuido dela sozinho. Nessa terra está escrito o conhecimento e afeto que minha família tem por terra e mato, está nela nosso apego à natureza que pra gente é uma espécie de oração. Acreditamos no poder e amor infinido que vem da terra, acreditamos muito. A horta do meu quintal produz alimentos que compartilhamos, com familiares e vizinhos, não nos custa compartilhar e o coletivo é sempre gratificante e belo. Já pensou em ver sua comida crescer e acompanhar a engenhosidade emocionante da natureza no seu quintal? Ou já pensou em comprar comida com esse selo de qualidade (limpa, de terra e mãos honestas e amorosas)? Já pensou em fazer com seus vizinhos uma horta coletiva num cantinho qualquer? O que chamamos de alimento orgânico tem uma história muito importante e linda por trás. O que seu corpo recebe, o que vai para a mesa da sua família, os hábitos sociais e comunitários que você pode construir através da comida – muito está a seu alcance fazer e transformar. Repense, reescolha, produza diversas marcas boas enquanto se alimenta. Plantar o meu alface me traz uma refeição linda, viva e saudável, mas também me traz emoções bonitas, contatos com a natureza (e um maior respeito à ela), me traz a chance de compartilhar, me traz iluminação, me traz o Deus que acredito e vejo no natural do mundo (na terra…), me traz uma lição sobre o tempo das coisas e me faz pensar no que compõe minhas escolhas. Comer é um ato social e  psicológico, há muito dentro disso. Pensem. Sou tão grato ao pé de alface que cresce na terra do meu quintal e ajuda a crescer em mim hábitos bons, vivos, plenos. A fertilidade do bom. Da terra pra dentro de mim, de dentro de mim para os outros. Todos nós. Plante alguma coisa para comer alguma vez na vida.

Gratidão de todas as sextas. Cozinhando as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de Paola Carosella. Receita 35/94: Massa branca para pasta. Receita 36/94: Ravióli de abobrinhas. 

Sexta-feira, dia do projeto “Gratidão de todas as sextas” – Cozinhar todas as 94 receitas do livro “Todas as sextas”, de @paolacarosella (Esse projeto tem um porque, clique aqui e leia o post que publiquei dia 11/11/16, explico lá tudo com todo meu coração). Receita 35/94: Massa branca para pasta. Receita 36/94: Ravióli de abobrinhas. Fazer massa fresca em casa sempre será pra mim revolucionário, corajoso e marcante. Ir atrás de ingredientes dignos, separar, amassar, esperar descansar, abrir, cortar, montar e cozinhar – Executar com suas mãos todos esses verbos e usar seu tempo para construir essa experiência artesanal e mágica, ao invés de comprar pronto no mercado e pular toda essa parte, é de fato revolucionário, hoje em dia. Dizem que tempo é dinheiro, mas como li outro dia e me emocionei lendo: “Isso é uma monstruosidade, o tempo não é dinheiro, o tempo é o tecido de nossas vidas”. Fazer massa fresca em casa é ter uma experiência diferente de tempo, de pensar sobre o tempo e o que temos feitos com o nosso (Que marcas costuro no tecido da minha vida?). Se tem um conselho que eu possa te dar é: Tire um dia de folga, antes de morrer, e faça massa fresca em casa. Isso movimenta algo na gente. E esse recheio de abobrinhas queridas, com esse molho de manteiga (que é amor em uma linguagem gordurosa e brilhante), e azeite, e minha fofas folhas de couve. Ave Maria, que alegria comer isso. Sofri super para abrir a massa, com um rolo. A massa poderia ter saido mais fina. Preciso de um cilindro. Estou feliz pra caramba com tudo, no final, afinal. Hoje eu só queria agradecer.